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O progresso não é linear: o que a neurociência ensina sobre as curvas do caminho

Data: 17/12/2025
Imagem sobre O progresso não é linear: o que a neurociência ensina sobre as curvas do caminho

É muito comum chegar ao consultório com a expectativa de que o tratamento será uma linha reta sempre para cima. A ideia de que a evolução deve ser contínua e sem falhas é um dos maiores pesos que carregamos, mas a verdade é que o cérebro humano não funciona assim. Se você sente que deu alguns passos para trás depois de uma fase boa, entenda que isso não é um erro, é biologia.

Por que o cérebro precisa de curvas?

A neurociência mostra que as mudanças emocionais e de comportamento acontecem em ciclos e não em linha reta. Quando estamos em tratamento, o cérebro precisa criar novas rotas neurais para lidar com velhos hábitos ou traumas.
Nesse processo, passamos por três fases naturais:
  • Avanços, onde conseguimos aplicar novas ferramentas e sentir melhora.
  • Estabilizações, que parecem momentos de estagnação, mas são o período em que o cérebro consolida o que foi aprendido.
  • Recuos, momentos onde o estresse nos faz buscar o caminho antigo por puro instinto de sobrevivência.

Curvas não são retrocessos

Muita gente confunde uma pausa ou um dia difícil com fracasso. No planejamento do cuidado, as curvas são momentos de reorganização interna. Elas servem para construir maturidade e regulação emocional. É justamente quando você tropeça e consegue levantar que a sua mente amadurece e se torna mais resiliente.
Se o progresso fosse uma linha reta, você não aprenderia a lidar com as adversidades da vida real. A verdadeira mudança acontece quando você entende que avançar, recuar e estabilizar faz parte de um único movimento de saúde.

Como atravessar as fases de "platô"

Se você sente que não está saindo do lugar hoje, tente estas perspectivas:

  1. Pausar também é produtividade: o descanso e a integração das informações são essenciais para o cérebro fixar novas formas de existir.
  2. Respeite a fisiologia: o cérebro não desliga, ele apenas precisa desacelerar para funcionar bem depois.
  3. Gentileza repetida: constância não é sobre força bruta ou disciplina rígida, é sobre ser gentil com o seu ritmo e retomar o caminho sempre que necessário.

Tirar o peso da "perfeição" é o primeiro passo para uma mudança real. Se o seu caminho tem curvas, pausas e retornos, saiba que é exatamente assim que a mente muda e evolui. Respeite o seu processo.